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Editoria: Vininha F. Carvalho12/3/2010


Estudantes brasileiros apresentaram soluções ecologicamente corretas durante a FEBRACE

Cerca de um terço dos projetos que foram apresentados na 8ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), que aconteceu de 9 a 11 de março, no campus da USP, em São Paulo, estão relacionados com o meio ambiente. Em um dos projetos, o óleo de cozinha, por exemplo, virou biodiesel e sabonete; em outro, o lixo tecnológico foi transformado em robô; e a argila e a fécula de mandioca serviram de base para um carvão menos poluente.

Desenvolvidos por alunos do ensino fundamental, médio e técnico, de todas as regiões do Brasil, 85 dos 280 projetos finalistas da FEBRACE apresentaram, de alguma forma, soluções para a preservação do meio ambiente e diminuição dos impactos causados pela ação do homem na natureza. Veja abaixo alguns projetos do gênero que estarão na FEBRACE:

Despoluidor de escapamento:

A poluição atmosférica, gerada pela emissão da fumaça do escapamento de veículos movidos a diesel, já pode ser reduzida. Três estudantes de Ipatinga (MG) criaram um equipamento capaz de filtrar os compostos tóxicos que estão presentes no ar expelido com a queima do diesel. Batizado de Despoluidor Eólico, ao ser acoplado no escapamento, o dispositivo promete reter as partículas nocivas, sem prejudicar o rendimento do veículo.


Sabonete de óleo de cozinha:

Até hoje, o reaproveitamento caseiro de óleo de cozinha, limitou-se, na maioria dos casos, à produção de sabão feito com soda – uma substância que funciona bem para lavar roupas, mas que tem a desvantagem de ser muito abrasiva e ressecar a pele. Um grupo de estudantes de Ceres (GO) desenvolveu um processo que possibilita obter do óleo de cozinha dois subprodutos de maior valor agregado: sabonete, com essências e corantes naturais, e biodiesel, que pode ser usado, por exemplo, como combustível para lamparina. O próximo passo do projeto é tornar esse biocombustível mais puro, para poder ser utilizado como combustível para motores. O meio ambiente agradece. Estima-se que cada litro de óleo usado descartado inadequadamente em pias de cozinha ou no solo contamine cerca de 1 milhão de litros d´água.


Churrasco menos poluente:

Poucos se dão conta, mas a matéria-prima principal do churrasco, o carvão vegetal, é um vilão do meio ambiente. Além de implicar na destruição de florestas (é obtido por meio a carbonização da madeira – na maioria das vezes de forma ilegal), o carvão vegetal também é altamente poluente. A alternativa existente no mercado, o chamado carvão ecológico, emite menor quantidade de poluentes, mas tem a desvantagem de ter uma combustão inicial difícil e demorada. Para resolver esse problema, três estudantes de Imperatriz (MA) resolveram aprimorar o processo do carvão ecológico. O novo produto, feito à base de argila, fécula de mandioca e carvão vegetal, na proporção de 4-2-1, mostrou ser muito mais eficiente e menos poluente que o carvão vegetal e o ecológico. Além disso, no teste de poder calorífico, esse carvão atingiu 72°C, o maior de todos. Agora, os estudantes pretendem aprimorar a fórmula, de forma que a quantidade de carvão vegetal utilizada na fórmula seja menor ainda.


Robôs de lixo tecnológico:

O desenvolvimento acelerado de novas tecnologias tem causado um descarte cada vez maior de aparelhos eletroeletrônicos e seus componentes – o chamado lixo tecnológico. Dois estudantes de Palmeira dos Índios (AL) propõem uma alternativa para a reciclagem deste tipo de lixo: a construção de robôs a partir de peças descartadas. Na FEBRACE, eles apresentarão três protótipos de robôs. Um feito de componentes danificados; outro, de CDs usados; e um terceiro, feito de mouse. Além de mostrar que é possível construir robôs de baixo custo, o projeto visa utilizar esses robôs em trabalhos educativos para a conscientização sobre o problema do lixo tecnológico.


Água do banho na descarga:

Estudantes de Itajubá (MG) desenvolveram um sistema simples e barato que possibilita reaproveitar a água do banho na descarga do vaso sanitário. Em vez de uma bomba d’água, que consumiria muita energia no transporte da água, eles optaram por adotar o conceito do Parafuso de Arquimedes. Esse sistema consiste basicamente em um cano flexível, enrolado em espiral em torno de um cano rígido. O movimento de rotação do parafuso é o que possibilita a condução da água de um nível para outro. Para seu funcionamento, foi utilizado apenas um motor de 12 volts. Toda a construção do protótipo foi feita de materiais reciclados ou de baixo custo.





Fonte: Érika Coradin



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